sábado, 8 de agosto de 2015

A TURMA DO BASKET



A TURMA DO BASKET
Em volta de uma enorme mesa, todas as segundas feiras, reúnem-se quase duas dezenas de senhores que conviveram nos tempos da adolescência. Estamos falando de uma amizade de cinquenta anos. Alguém já falou que o grupo deveria comunicar sobre esse tempo de convivência ao Guiness Book. Afinal pode ser que haja grupos que se encontram após muito tempo, entretanto reunir-se toda semana? Não conheço nenhuma turma com essa frequência. Esses encontros começaram ha pouco mais de vinte anos atrás quando liderados pelo Milton Soares, que havia sido jogador de alto nível, os coordenou numa prática de basket no Clube de Campo de Mogi das Cruzes. Depois de terminada a atividade começaram a comer pizza em um restaurante. Depois de algum tempo juntaram-se outros que nunca haviam jogado basket, mas que conviveram nos áureos tempos do Washington Luis e até, um ou outro, do Liceu Braz Cubas. São os chamados “agregados”. Temos ali os personagens mais variados: o grande pivô, o mãozinha de ouro, o escolhedor de pizza, o presidente, o diretor de comunicação, o diretor de eventos, o tesoureiro, o que fecha a conta, o que só pede pizza portuguesa, o arremessador de bolotas de papel na cabeça dos colegas etc.
Os encontros são bastante informais, alguns vem de outras cidades. Fala-se sobre tudo, desde política até os famosos “casos verídicos” que, na maioria das vezes, estão mais na imaginação do contador do que na realidade.
Vez em quando alguém se arrisca a contar uma piada. Terminada a mesma todos olham para o companheiro que sempre está encarregado de dizer se a piada é velha ou inédita. Muita polêmica, alguns dizem: É velha, mas é boa! Algumas das mais antigas e boas são a do “Pitbull”, a da “Freirinha e o Frei Damião” e a do “Português que falava bem devagar par que os alemães o entendessem”. No fim todos acabam dando boas risadas.
Os personagens possuem características culinárias diferenciadas: o grande doceiro... E que doce de goiaba que ele faz, o cozinheiro italiano, o especialista em paella de frutos do mar, outro de paella de frutos da terra, o grande churrasqueiro etc. Vez ou outra para quebrar a rotina brindam os colegas com esses quitutes.
Vez em sempre, uma das esposas envia uma sobremesa. O presidente telefona para a senhora, agradece e pede para ela ouça as palmas e a ovação de júbilo de toda a turma.
Às vezes um dos senhores que falar alguma coisa que, pelo menos para ele é importante, e alguns continuam falando sem prestar atenção. É necessário então que o pobre interrompa a conversa aos gritos. Às vezes consegue o silencio, outras desiste de contar o fato naquele momento e deixa para depois. Nem sempre, entretanto, é porque estão conversando. Às vezes é porque não escutam mesmo.
Não raro as gozações mútuas acontecem afinal cada um conhece os pontos fracos dos outros perfeitamente. Entretanto essas brincadeiras são bastante ingênuas e não provocam qualquer cisão.
Quando alguém fica doente a preocupação é geral. Enquanto não se tem boas notícias ficam todos de plantão quase estourando o celular de tanto enviar mensagens.
Por vezes o pessoal sobe a serra do Itapety e a festa acontece nas casas de alguns componentes que moram por lá. É impressionante a qualidade de recepção proporcionada por esses amigos.
No Natal sempre um encontro festivo que a polêmica de cardápio se arrasta por vários encontros. Nesta festa de gala vão as mulheres e o grande técnico do antigo time de basket. Personagem que toma a palavra e com sua verve, domina qualquer conversa.
Eu fiquei pensando comigo mesmo... Porque esses encontros com tamanha assiduidade?
A resposta acho que está no fato de que essas pessoas foram felizes juntas na juventude e continuam felizes juntas na maturidade. Em cada reunião sente-se o carinho que todos têm por cada um dos presentes. Essa turminha é um exemplo para todos aqueles que vivem neste mundo onde os relacionamentos são raros e superficiais. Construíram uma turma de afeto e carinho que deve ser observada com atenção pelos jovens que podem se tiverem paixão, projetar uma nova turma cheia de amor para o futuro.
                                                           ARMANDO SÉRGIO DA SILVA

Meu primeiro e honroso emprego.



Meu primeiro e honroso emprego.

Muito se fala sobre a crise do ensino que assola hoje o país. Neste momento os professores de vários estados estão em greve. Em Mogi das Cruzes sempre foi muito comentada a qualidade e a importância do ensino do Instituto de Educação Dr. Washington Luis. Era o centro de irradiação cultural e esportivo da cidade. Pouco se falou, entretanto da importância de outra escola nos idos de sessenta e setenta. Penso que está na hora de creditarmos a esse educandário seu mérito. Hoje mudou de nome... Chama-se ETEC Presidente Vargas e continua com um ensino de excelência, agora voltado para uma grande meta profissionalizante.
Forma técnicos em mais de uma dezena de especialidades, desde Administração, passando por Design de Interiores, Mecatrônica, Nutrição e Dietética etc.
Referimo-nos, entretanto, sobre o seu início, da época em que se chamava Escola Industrial ou Ginásio Industrial Presidente Vargas. Lá foi o local do meu primeiro emprego como profissional de Teatro. Eu nem bem havia me formado na ECA/USP quando o Seu Antonio Godoy, diretor naquela época, convidou-me para lecionar Arte Dramática para os alunos da quinta série. Lembro-me que o fato foi nomeado como “vanguardíssimo”, visto que em nenhuma escola da região havia tal disciplina. De minha parte eu comecei meio inseguro, visto que só havia dirigido atores amadores adultos, mas aos poucos fui aprendendo a me divertir com a garotada de 11 anos.
 Depois de uns dois anos, comecei a perceber que ali existiam condições para a formação de um grupo de teatro estudantil. Com vinte e dois anos e, por isso mesmo, com muita vontade fundei o TEGI (Teatro Estudantil do Ginásio Industrial) que, aos poucos, foi agregando os principais “talentos” da escola. Sem ganhar nenhum tostão a mais, comecei ensaiar os meninos aos sábados durante a tarde e aos domingos de manhã.
Tínhamos um Grupo de Jogral do qual recebi emocionante homenagem quando nasceu o meu primeiro filho, Leandro. Os meninos fizeram uma apresentação que no final possuía o seguinte refrão: “Já é papai... Já é papai”.
            Aquilata-se a importância do TEGI, na medida em que havia, naquela época em Mogi das Cruzes, com atuação regular, praticamente o nosso grupo e o tradicional TEM (Teatro Experimental Mogiano).
     Eu sempre fui adepto da teoria que entende a educação como desafio para enfrentar questões complexas. Com um grupo de adolescentes que não chegavam aos 14 anos fizemos o seguinte repertório:
·        “Pluft o Fantasminha” de Oscar Von Pful (1968)
·        “Somos Todos do Jardim da Infância”, de Domingos de Oliveira (1969).
·        “O Santo Milagroso”, de Lauro Cesar Muniz (1969).
·        “Conferência Ilustrada”, de Eurípides a Ionesco, um espetáculo didático-cultural (1970).
·        “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna (1971).
·        “As Casadas Solteiras”, de Martins Pena (1972).
      Para se ter idéia da complexidade e profundidade do trabalho dos meninos adolescentes o espetáculo “Conferência Ilustrada” compunha-se de trechos dos seguintes autores: Ésquilo, Eurípedes, Plauto, Gil Vicente, Shakespeare, Molière, Strindberg, Garcia Lorca, Brecht e Ionesco. Como se isso não bastasse, antes de cada cena havia uma explicação sobre os autores encenados.
       Além de tudo havia um ambiente muito favorável na escola. Ao lado desse ensino que vamos chamar de fundamental havia a Grande Oficina que ocupava toda a área onde hoje funciona um supermercado. Ali os alunos estudavam elétrica, mecânica, objetos de madeira etc. As meninas faziam cursos de culinária. Professores, funcionários e alunos conviviam num clima de muita seriedade e festa de conhecimento. Não vou citar nenhum nome porque certamente cometeria grandes injustiças por terem sido tantos os meus amigos, colegas e alunos que me enriqueceram sobremaneira. Atualmente quando encontro pessoas que lá estudaram só ouço elogios. Palavras de intensa saudade. Foi dos melhores momentos profissionais de minha vida.
Hoje aqueles adolescentes são meus amigos. Pelo menos dois ou três deles fizeram a Escola de Arte Dramática de São Paulo. Hoje são respeitados jornalistas, artistas plásticos, engenheiros médicos e advogados de alto nível etc. O mais importante, todos foram muito bem formados. São cidadãos honrados e honestos que engrandecem, com as suas vidas, o mundo em que nós convivemos. Posso dizer, sem dúvidas, que o Ginásio Industrial Presidente Vargas foi um exemplo, que precisaria ser melhor estudado sobre a qualidade do ensino publico no Brasil.
Saudades de todos e um abraço de...
                                                                             Armando Sérgio da Silva
(Atualmente Professor Titular de Interpretação Teatral, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)
                                                                


SORTE DE MOGI DAS CRUZES



SORTE DE MOGI DAS CRUZES

1920, Kiev, Rússia frio arrastador a família judia janta na sala. A primeira guerra mundial ainda tem seus efeitos maléficos. A revolução Russa assusta os habitantes da cidade. A mãe olha para seu filho adolescente de 17 anos e pensa. – É melhor perder meu filho vivo! Preciso tirá-lo daqui.
- Filho você precisa sair daqui. Para um moço da sua idade a Rússia está muito perigosa e sem perspectivas. Ouvi falar de um país na América do Sul, que me parece muito bom... o Brasil.
– Eu vou sentir muitas saudades de vocês, mas eu tenho que ter coragem.
Dias depois de uma longa viagem de navio o jovem desembarcou no Rio de Janeiro e de lá seguiu de trem para São Paulo. Tinha por rumo Jacareí. Cansado adormeceu e a estação passou sem que ele descesse. Sorte de Mogi das Cruzes. Desembarcou aqui. Uma família mogiana de judeus lhe deu abrigo e um emprego. Como todo imigrante passou muitas dificuldades. Ia todos os dias na padaria e procurava o que havia de mais em conta. Para economizar, ele almoçava só um filão com duas bananas.
Num belo dia teve uma ideia. Comprar uma bicicleta e sair vendendo mercadorias de porta em porta. A ideia foi muito boa. Aos poucos o jovem começou a guardar algum capital. Faltava-lhe, entretanto, o amor, uma garota que lhe completasse a existência.
Estava ele um dia, de bicicleta, vendendo seus artigos quando ouviu o som maravilhoso de um piano. Percebeu que vinha de uma bonita casa que estava com as janelas abertas. Naquele tempo as janelas viviam abertas. Não resistiu foi até a casa e olhou. Tocava o piano uma jovem linda. Sem pestanejar deu-lhe os parabéns. Depois de um leve susto, ela o olhou. Os dois se olharam por instantes. Naqueles olhares já havia quase que um compromisso. Iniciaram ali um namoro escondido do pai da garota que não permitia que ela namorasse. O pai era de alta patente da Guarda Nacional e um próspero comerciante.
Casaram-se anos depois. O jovem russo acabou por ser aceito pelo sogro e iniciaram uma família. Aos poucos os negócios do jovem foram prosperando.
Nessa época, anos quarenta, aconselhou o sogro, para que se associassem para a formação de uma companhia cinematográfica. Acabaram por construir três cinemas dentre os quais um majestoso, com 3600 lugares considerado o maior cinema do Brasil.
O casal teve dois filhos que passaram a ajudar nas tarefas dos cinemas. Esse trabalho provavelmente os transformou em cinéfilos. Não era para menos n                                                                                                                                                                                                                                                               o cinema maior, logo na entrada, iluminadíssima, sentia-se o clima da magia. Os proprietários sempre por ali. Seu salão de espera, enorme, mais parecia um salão de baile com fotos dos artistas da época: Elizabeth Taylor, Montgomery Clift, Clark Gable, Kim Novak, Marlon Brando, etc. Todos ficavam ali a espera do gongo. Naquele tempo soavam três vezes antes da sessão. Aos poucos o mundo real ia desaparecendo e todos mergulhavam na fantasia, paixão e imaginação que o cinema proporciona.
Passaram-se os anos o jovem russo faleceu nos anos sessenta e deixou grandes negócios para os filhos que, com muita competência, ampliaram o capital e hoje são dos maiores empresários do país.
Permaneceu também com os filhos aquela febre da magia do cinema. A população de Mogi, surpresa, viu nos últimos anos fecharem o único cinema que havia na cidade, situado no Mogi Shopping. O jovem cinéfilo pensou – Mogi com trinta mil habitantes tinha três cinemas. Agora com quinhentos mil não tem nenhum. O novo cinema do Shopping não tem previsão para funcionar. Isso certamente o deixou muito triste. Mogiano da gema, que sempre foi, pensou... Preciso tomar uma atitude. Dias depois, pasmem cidadãos de Mogi... Comprou o Shopping. A população toda saudou o negócio como a grande chance da cidade ter novamente o seu cinema. Não sei se esse foi o maior motivo, entretanto, conhecendo o seu amor pela cidade e o seu empreendedorismo acredito que deve ter tido um grande peso em sua decisão.
Por causa desse grande mogiano, por seu pai ter se distraído na estação de Jacarei, justifica-se o título de nossa crônica... SORTE DE MOGI DAS CRUZES!!!
ARMANDO SÉRGIO DA SILVA

PEQUENAS MENTIRAS



PEQUENAS MENTIRAS
O filho espera ansioso a chegada do ônibus que trazia seu pai. Tinha noventa e cinco anos. Nasceu em Mogi e viveu aqui até quando foi cuidar de um sítio para os lados de Minas. Sua mulher havia falecido há sete anos e ele estava com a saúde bastante precária e totalmente cego.
O filho continuava morando em Mogi e ia visitá-lo vez em quando. Estava muito alegre com a vinda do pai. Logo chega o ônibus. O motorista, já orientado, o chama para pegar o pai dentro do veículo.
Estava sentado na primeira poltrona olhando para o vazio. Sentou-se ao seu lado o abraçou e sussurrou... - Que felicidade!
O pai esquadrinhou vagarosamente com as mãos o rosto do filho. - Você não mudou quase nada aposto que continua aquele garotão bonito!
O filho o abraçou ainda mais forte e sentiu a respiração difícil do pai. – Está sentindo alguma coisa? Está muito ofegante.
-Coisas da idade filho!
-Apoie-se em mim vamos descer.
Pai – Estamos na rodoviária?  Perto do Cine Urupema?
MENTIRA NUMERA 1. RESOLVEU NÃO FALAR QUE LÁ NÃO ERA MAIS A RODOVIÁRIA E QUE ESTAVAM NO MOGILAR. O PRÉDIO DA ANTIGA RODOVIÁRIA ESTAVA MEIO SEM MANUTENÇÃO  E O MAJESTOSO CINE URUPEMA ERA AGORA UMA IGREJA EVANGÉLICA.
-Sim pai. Estamos aqui! Vamos pegar um taxi.
- Bobagem filho vamos a pé pela José Bonifácio e assim passamos pelo largo da Matriz.
- Não pai você não está bem. Quem sabe depois a gente vai até o Largo da Matriz. Aonde você quer ir em primeiro lugar?
- Onde eu nasci, no Largo do Carmo.
Pai- Nossa está demorando... Antes era tão perto.
Filho- Aqui estamos. (ajuda o pai a sair do taxi)
Pai- É muito triste a gente não enxergar... Como eu queria ver este maravilhoso lugar.
Filho- Fique tranquilo vou descrevê-lo para você. Estamos em frente ao Teatro Vasquez.
Pai- Assisti algumas peças de teatro aqui e também vi tribunais do júri com renomados juristas.
E o prédio da Banda Santa Cecília?
MENTIRA NÚMERO 2. NÃO TIVE CORAGEM DE DIZER QUE O PRÉDIO ESTÁ TODO ESBURACADO SEM NENHUMA MANUTENÇÃO.
Filho- Está aqui nas nossas costas. Todinho pintado de azul.
Pai- Pena que hoje não deve ter ensaio, senão a gente poderia ouvir a deliciosa harmonia da banda.
Pai- Eu sempre parava aqui para olhar as torres da igreja do Carmo. Você está vendo?
MENTIRA NÚMERO 3. FALTOU-ME CORAGEM PARA DIZER QUE NA LINHA DE MINHA VISÃO ESTAVA UM APINHADO DE FIOS DE ILUMINAÇÃO QUE MAIS PARECIAM GALHOS RETORCIDOS. COISA MAIS FEIA DE MOGI.
Filho- Sim pai, estão lá as torres.
Pai- Vamos até o largo. Descreva bem devagar... É o lugar que eu mais amo.
(Estremeci pela responsabilidade.).
NO LARGO.
Pai- E aí filho como está o nosso Largo do Carmo! Continuam sentados nos bancos os casais enamorados? Tem crianças brincando?
MENTIRA NÚMERO 4. NÃO TIVE CORAGEM DE DIZER QUE MUITOS MENDIGOS ESTAVAM ALI DEITADOS E QUE ALGUNS JOVENS FUMAVAM ALGO MUITO ESTRANHO.
Filho- É verdade pai... Aqui está muito tranquilo. Ali está o Casarão do Carmo todo preservado. A prefeitura desapropriou e transformou em um centro de cultura.
Pai- Que coisa linda meu filho. E a praça vai até a porta da igreja?
MENTIRA NÚMERO 5. FALTOU-ME CORAGEM PARA DIZER QUE CONTINUA O TRÂNSITO PESADO DE CARROS E ÔNIBUS NA FRENTE DE NOSSAS IGREJAS QUINHENTISTAS.
Filho- Sim pai é uma praça que acaba na porta da igreja.
Pai – E a casa onde eu nasci e criei vocês...
MENTIRA NÚMERO 6.  A MAIOR DELAS. NÃO PODIA DIZER QUE HAVIA SE TRANSFORMADO EM UMA PIZZARIA.
Filho- Continua lá meu pai... Linda, com suas sacadas e aquele ar de festa!
Os olhos do pai marejaram! Distraiu-se com a casa onde viveu sua infância e juventude e deixou por um tempo de prestar atenção no pai.
Voltou a olhá-lo e o pai estava estático. Parecia não respirar. Em pânico o abraçou...
Filho- Pai? O que é que houve?
Pai (demorou um pouco e respondeu) – Fique tranquilo meu filho. Eu notei que você me contou algumas PEQUENAS MENTIRAS... Para me proteger... Você sempre foi um filho maravilhoso. Eu resolvi, por uns instantes, parar de ouvi-lo e minhas memórias começaram a vir... Lembro-me sentado com sua mãe, namorando, nesses bancos. Você jogando bola quando aqui era um campo de terra ou brincando de DIN e GARRAFÃO. E, principalmente, você de terninho azul marinho com uma larga fita amarela da Cruzada Eucarística.
O filho pegou na mão do pai e o conduziu até um banco. Sentados ele colocou a mão no ombro do pai e o apertou contra o seu peito. Ali ficaram sussurrando suas memórias.
Quem por ali passasse iria ver uma foto maravilhosa. Pai e filho carinhosamente abraçados por suas memórias e por todo o amor. Não precisavam mais de PEQUENAS MENTIRAS!
                                                                          ARMANDO SÉRGIO DA SILVA
                                                                                         INVERNO DE 2015